O presidente da AMB, desembargador Cláudio Baldino Maciel, considerou um “anacronismo” a criação de um conselho para fiscalizar o trabalho de jornalistas e de veículos de imprensa. A proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo foi encaminhada pelo governo federal. “Não consigo entender a criação desse conselho, com a função de punir, penalizar, proibir”, disse o magistrado, em debate sobre a liberdade de imprensa na abertura do 5º Congresso Brasileiro de Jornais. O evento, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), começou nesta segunda-feira, dia 13, e vai até quarta-feira, 15, em São Paulo.
Maciel fez um paralelo entre a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo e o Conselho Nacional de Justiça, proposto pelo governo federal no âmbito da reforma do Judiciário. “O Judiciário, como a imprensa, precisa ser livre”, disse.
O debate se realizou depois de palestra da jornalista Jan Schaffer, diretora executiva do Instituto de Jornalismo Interativo da Universidade de Maryland e ganhadora do Prêmio Pulitzer pelo jornal “Philadelphia Inquirer”. Participou, ainda, como mediador, o comentarista e colunista Arnaldo Jabor. Schaffer falou sobre sua experiência como diretora do Pew Center for Civic Journalism, voltado à cidadania. “Democracia e jornais livres estão inter-relacionados e é por isso que nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países eles têm garantias constitucionais”, disse a jornalista.
Jabor também criticou as iniciativas no sentido de cercear a imprensa. “Para este governo (federal), assim como para Bush, o perigo está na liberdade”, disse. “Eles têm medo da multiplicidade”, completou.
O Congresso da ANJ foi aberto pelo presidente da entidade e do Conselho de Administração do jornal O Estado de São Paulo, Francisco Mesquita Neto. O jornalista criticou “a crescente escalada de propostas, partidas do Poder Executivo, que embutem verdadeiros atentados à liberdade de expressão”.

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