Encontro de Juízes valoriza futuro da política de tolerância
O deputado federal Fernando Gabeira (sem partido, RJ) afirmou hoje, ao participar do II Encontro Nacional de Juízes Estaduais em São Paulo, que a repressão do Estado sobre as pessoas é uma tarefa condenada ao fracasso, e que a única política com futuro é a da tolerância.
Ele explicou, contudo, que é muito difícil trabalhar essa política, na medida em que ela implica o fato de se aceitar as teses alheias, ou “a verdade dos outros”, como ele disse. Gabeira explicou que no Congresso Nacional essa dificuldade aumenta, pois os parlamentares temem serem identificados com os temas que debatem. Ou seja, que “toleram”.
Gabeira explicou que, dentro da política de tolerância, ele trabalha, por exemplo, com temas como o uso de drogas, a união civil de homossexuais, a legalização da prostituição, e o aborto. No seu entender, todos estes assuntos têm em comum o uso que o indivíduo faz do corpo.
Dentro deste cenário, do comportamento individual de cada pessoa, está cada vez mais difícil para o Estado entrar com sua ação repressora. Segundo o deputado, o Estado já não encontra mais apoio na Igreja e na família para imprimir uma política de força. “É precisamente aí que se coloca a política de tolerância”, explicou.
Para ele, as utopias políticas desapareceram. “O marxismo, que oferecia um paraíso terreno, também sofreu um colapso, um choque de crença”. O parlamentar concluiu sua palestra dizendo que hoje em dia as pessoas querem ser mais fiéis a si mesmas, o que dificulta a repressão institucional a certas posturas e procedimentos.
Persuasão
O sociólogo Luiz Eduardo Soares falou após o deputado. Ex-secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, ele acha que o ambiente atual é o da mediação de conflitos privados, por parte do Estado, através do Poder Judiciário.
Segundo disse, no processo de mediação, resolver conflitos através da mediação implica em aplicar as técnicas de persuasão de pontos de vista e dissimulação de interesses. Dessa forma, estabelece-se um clima de convivência com as demais pessoas e grupos de interesse. Isto é, um ambiente de tolerância.
Os dois palestrantes falaram para uma platéia de cerca de 500 magistrados e magistradas. Embora o II Enaje, promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros e a Associação Paulista de Magistrados, seja um evento para juízes estaduais, a tônica desta edição foi a presença de muitos colegas de outras áreas, como as justiças trabalhista, federal e militar.




