Em encontro com juízes e desembargadores, ministro Luís Roberto Barroso destaca a importância da magistratura como instituição com grande capilaridade, responsável por levar justiça a todo o país e às comunidades mais distantes

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizou, na segunda-feira (15), um encontro inédito entre magistrados de Roraima e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luís Roberto Barroso. O evento, parte do programa Diálogos da Magistratura, foi organizado em parceria com o CNJ e com a Associação dos Magistrados de Roraima (AMARR).

Durante o encontro, o ministro abordou a crescente visibilidade do Judiciário no cenário nacional. "O Judiciário era um departamento técnico especializado e hoje se tornou um poder que tem uma atuação relevante na paisagem institucional do país”, afirmou Barroso.

Segundo o ministro, após a Constituição de 1988, magistrados e tribunais passaram a decidir sobre temas que impactam diretamente a vida das pessoas e das empresas, abrangendo questões econômicas, políticas e sociais.

"O juiz é a face do Estado e do Poder Judiciário. Tenho muito orgulho do Judiciário brasileiro e dos pouco mais de 18 mil juízes que prestam serviços. A magistratura é, possivelmente, a instituição com mais capilaridade, levando o Estado às comunidades mais distantes”, destacou.

Programa de escuta ativa

O Diálogos da Magistratura é um programa de escuta ativa idealizado pela AMB e desenvolvido em parceria com o STF e o CNJ. Seu objetivo é promover a aproximação entre a cúpula do Poder Judiciário e magistrados de todo o país, com apoio das associações regionais e dos tribunais locais.
De março de 2024 até setembro de 2025, o ministro Barroso participou de encontros inéditos com magistrados de 20 unidades da Federação.

Em Boa Vista, a reunião foi conduzida pelo presidente da AMARR, Marcelo Lima de Oliveira. "Os magistrados de Roraima tiveram um diálogo franco e direto com o presidente do STF e do CNJ”, afirmou, ressaltando a importância do associativismo para viabilizar programas como este.

Legado e continuidade

O presidente interino da AMB, Cláudio Martinewski, destacou que a iniciativa será mantida na próxima gestão do STF.

"O ministro Barroso deixa um legado. O ministro Edson Fachin, próximo presidente do STF e do CNJ, dará continuidade ao programa, pois essa escuta ativa é essencial para que tenhamos um Judiciário mais eficaz, efetivo e de melhor qualidade, fazendo justiça para a sociedade”, avaliou.

A mesa de abertura contou ainda com a presença do presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Roraima (TJ-RR), Leonardo Pache de Faria Cupello.

Projetos e temas debatidos

Entre os assuntos abordados por Barroso estão projetos estratégicos do CNJ, como:

Exame Nacional da Magistratura; Pacto pela Linguagem Simples, que busca aproximar a comunicação do Judiciário da população; ações para reduzir a disparidade de gênero e raça na magistratura; medidas para diminuir a judicialização e a litigiosidade.

O ministro também falou sobre o impacto da tecnologia e o uso crescente da inteligência artificial. "O uso da IA deve ser feito com cuidado. O juiz não pode deixar de decidir a causa”, alertou.

Durante a reunião, magistrados apresentaram questionamentos sobre teletrabalho e o equilíbrio entre sessões de julgamento presenciais e virtuais.

Homenagem

Ao final do encontro, Barroso foi agraciado com o diploma e a medalha Mérito do Poder Judiciário de Roraima.

Também estiveram presentes a vice-presidente de Assuntos Legislativos da AMB e presidente da Amaerj, Eunice Haddad; a coordenadora da Justiça Estadual da AMB, Vanessa Mateus; o assessor da AMB e presidente da Apamagis, Thiago Massad; a secretária do CNJ, Adriana Cruz; o juiz auxiliar do CNJ, Frederico Montedônio; e a chefe de gabinete da presidência do CNJ, Leila Mascarenhas.

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