Obra foi analisada pelo professor Luciano Machado Thomaz, que destacou a complexidade religiosa e humana do autor inglês

No último encontro do Clube de Leitura da AMB reuniu magistrados e entusiastas para analisar “O poder e a glória”, clássico de Graham Greene, grande nome da literatura inglesa. O debate refletiu sobre diversos aspectos da obra, que envolvem a religião, as contradições humanas e o poder institucional.

Publicado em 1940, o romance é ambientado no México da primeira metade do século XX, durante a Guerra Cristera. A trama acompanha a perseguição implacável a um padre fugitivo por parte de um tenente que, sob ordens do governador da província, o caça de maneira quase fanática.

O livro foi apresentado pelo professor Luciano Machado Thomaz, que destacou a biografia de Graham Greene, autor que transitou entre a literatura, o teatro e até o cinema: vários de seus livros foram adaptados para as telas. “Greene é um homem do cinema. Neste livro fica bem claro: o jeito que ele narra é cinematográfico”, disse o professor.

Nascido em 1904 em uma pequena cidade da Inglaterra, Greene teve uma infância conturbada e converteu-se ao catolicismo depois de se apaixonar por uma mulher que viria a casar. Foi ao México, durante a Guerra retratada no livro, e depois a Serra Leoa, como agente secreto britânico.

A religião vem a ter um papel muito importante em sua obra, destacou o professor: “Na minha opinião, este livro é uma exposição narrativa da crença que o próprio Greene tinha da experiência católica, que, para ele, teria espaço para os pecadores. Como exemplo, na obra, temos um padre que tem uma filha, que é um alcoólatra, e que ao mesmo tempo o autor pinta como um modelo de cristão”, afirmou.

Durante a narrativa, o padre vai se transformando em “uma espécie de santo, mas cheio de falhas”, afirma o professor. “Uma cena que me marcou é de quando o padre está preso em uma cela cheia de malfeitores, e naquele lugar fétido, ele diz que a cela parece o mundo e remete a Deus. O Greene trata a realidade com a nuance da vida, todos somos um pouco santos e muito pecadores”, concluiu o palestrante.

O debate foi mediado pela juíza Lívia Freitas (TJAP), que elogiou a profundidade da palestra do professor.

Assista ao vídeo do debate do Clube de Leitura:

Próximo encontro

Em 30 de julho, os magistrados vão discutir o livro “O Grande Caderno”, da escritora húngara Ágota Kristóf. Primeiro volume da Trilogia dos Gêmeos, o livro narra, com uma linguagem perturbadora, a vida de dois irmãos durante a guerra. A discussão será conduzida pelo escritor Ricardo Lísias.

SERVIÇO

Clube de Leitura - “O Grande Caderno”, de Ágota Kristóf
Quando: 30/07
Horário: 19 horas
Inscrições: [email protected]
Formato: on-line via plataforma Zoom

 

Henrique Bolgue (Ascom/AMB)

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