Clube de Leitura da AMB debate “A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói

Professora Elena Vássina analisa a profundidade filosófica do clássico russo
“No vasto edifício do Fórum, num intervalo do julgamento da família Mielvínski, os juízes e o promotor reuniram-se no gabinete de Ivan Iegórovitch Chebek, e a conversa versou sobre o célebre caso Krassov. Fiódor Vassílievitch exaltou-se, procurando demonstrar a incompetência dos tribunais, Ivan Iegórovitch insistiu no seu ponto de vista, e Piotr Ivânovitch, que não interviera na discussão desde o início, continuava a não participar dela e corria os olhos pelo Viédomosti, que acabavam de trazer. — Senhores! — disse ele. — Morreu Ivan Ilitch.”
O primeiro parágrafo de A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, foi um dos destaques da discussão do Clube de Leitura da AMB, que debate reuniu magistrados para discutir esse clássico da literatura russa.
O encontro contou com a apresentação da professora Elena Vássina, docente de Literatura Russa da Universidade de São Paulo e presença constante nos encontros do clube. A pesquisadora ressaltou a ironia da escrita em uma sociedade russa movida por aparências.
“Se eu tivesse que escolher apenas uma obra da literatura universal, escolheria A Morte de Ivan Ilitch”, afirmou. Para a palestrante, o texto de Tolstói é “como um diamante, que brilha novas faíscas a cada vez que leio”.
Publicada na década de 1880, a novela foi escrita após uma profunda crise existencial do autor e, segundo Vássina, é a obra “mais profunda e intensa” de Tolstói. Durante a exposição, a professora chamou atenção para a estrutura simbólica da narrativa. “São 12 capítulos, um número mágico que remete à ideia de plenitude, de ciclo, de repetição. O final é o início de um novo ciclo”, observou.
O debate foi mediado pelo diretor de Cultura da AMB, Kéops Vasconcelos, que destacou a relevância de leituras como A Morte de Ivan Ilitch para a formação humanística dos magistrados.
Assista ao encontro no canal da AMB no YouTube:
Henrique Bolgue (Ascom/AMB)




