AMB participa de abertura do Enajun e debate os 10 anos do Estatuto de Igualdade Racial

Evento será realizado até sexta-feira
A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil e a juíza e diretora de Promoção da Igualdade Racial da AMB, Flávia Martins de Carvalho participaram da solenidade de abertura do IV Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (Enajun). O evento, realizado na segunda-feira (20), reúne personalidades do sistema de Justiça e da sociedade em debates voltados à celebração dos 10 anos do Estatuto de Igualdade Racial, sancionado em 2010.
“O momento de discussões sobre a inclusão racial já passou. Vivemos um período de elaboração de políticas que promovam de verdade a igualdade racial e de gênero em todos os Três Poderes. Nossa voz tem muita legitimidade. Desejo que nós consigamos inspirar e construir novos caminhos nessa sociedade tão desigual”, afirmou a presidente da Associação.
Renata também lembrou que no Brasil os negros ainda são os que mais morrem. “Vi que o Rio de Janeiro e São Paulo são os lugares onde as pessoas mais morrem pela cor e pela condição social. Nós vivemos um cenário triste. Não só os agentes que lidam com o combate ao crime morrem, mas também as pessoas que vivem em comunidades de baixa renda. Esse quadro precisa ser revertido”, afirmou. “A responsabilidade dos juízes brasileiros é gigantesca. Eu tenho certeza que neste IV Enajum nós criaremos novas metas e estratégias. Contem com a AMB para cobrar e implementá-las”, concluiu.
Durante o encontro, a juíza Flávia Martins de Carvalho, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), lembrou que a morte do americano George Floyd reacendeu o debate sobre o racismo no mundo. Antes de morrer, o homem negro foi filmado com um policial branco de joelhos em seu pescoço. As imagens causaram indignação e inúmeras pessoas saíram às ruas para se manifestar com cartazes escrito: "vidas negras importam".
"Precisamos desenvolver novas bases para as relações raciais do nosso país. O que colocaremos no lugar? Políticas e ações que promovam a igualdade racial ou novas formas de manutenção de privilégios em função da cor? Qual o papel do Judiciário na luta antirracista? Que ao longo desta semana possamos debater, construir e fomentar respostas a estas perguntas", acrescentou.
No evento, a presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Noemia Porto, disse que a diversidade no movimento associativo nacional da Magistratura do Trabalho ainda não é suficiente, considerando o ideal de uma presença efetivamente igualitária. “Um Judiciário branco, masculino e heteronormativo não é capaz de retratar e bem representar o pluralismo, a complexidade e as múltiplas formas de vivenciar os direitos de cidadania na sociedade brasileira”, alertou.
O Enajun segue até sexta-feira (23) e conta com o apoio institucional da AMB e marca o lançamento do I Fórum Nacional de Juízas e Juízes contra o Racismo e todas as formas de Discriminação (Fonajurd).
Acompanhe a programação do Enajun desta terça-feira (20), no YouTube.
Assista ao vídeo do evento:
Mahila Lara
Assessoria da AMB




