Encontro de auditores judiciais discute eficiência no Poder Judiciário

Relatório “Justiça em Números” destaca produtividade recorde e equilíbrio de custos no Poder Judiciário
O Judiciário brasileiro é, ao mesmo tempo, espelho e engrenagem de um país em permanente litígio consigo mesmo. Chamá-lo de caro ou lento é ignorar a escala de uma estrutura que sustenta, todos os dias, o direito de milhões de cidadãos à resposta do Estado. Em meio à avalanche de processos, o sistema se mostra produtivo — e o custo, proporcional à tarefa de manter a Justiça em funcionamento.
Essa constatação foi reforçada pela coordenadora licenciada da Justiça Estadual da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Vanessa Mateus, durante apresentação no XIII Encontro do Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais (Cojud), realizado em Manaus. Ao tratar da eficiência da Justiça, a magistrada destacou que os números contradizem a ideia popular de um Judiciário ineficiente.
“Embora para a população o Judiciário aparente ser um Poder caro, lento e improdutivo, os números mostram, em sentido contrário, que o Judiciário é um Poder muito produtivo e com um custo compatível com o seu gigantismo, capilaridade, capacidade de atendimento às demandas e necessidade de investimentos constantes em celeridade e tecnologia”, afirmou.
O encontro reuniu ouvidores judiciais de diversas partes do país para discutir eficiência administrativa, transparência e aprimoramento no diálogo entre o Judiciário e a sociedade — temas cada vez mais centrais para o fortalecimento da confiança pública nas instituições.
A mais recente edição do relatório “Justiça em Números”, publicada neste ano pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), confirma a análise apresentada pela magistrada. Segundo o levantamento, os tribunais brasileiros julgaram 44,6 milhões de processos em 2024, o que representa um crescimento de 28% em relação a 2023. Também foram baixados 44,8 milhões de processos, o maior volume já registrado na série histórica do CNJ.
Com esses resultados, o relatório evidencia um dos níveis mais altos de produtividade judicial do mundo: cada juiz brasileiro julga, em média, dois mil processos por ano, um desempenho que revela não apenas esforço individual, mas também investimento institucional em tecnologia, gestão e inovação.
(Ascom/AMB)




