A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) enviará ofício ao Ministério da Justiça apoiando as investigações da Polícia Federal sobre a espionagem da firma Kroll em empresas e autoridades dos poderes Executivo e Judiciário brasileiros, devido a disputas judiciais de duas empresas de telefonia. No documento, a entidade pedirá, também, que estas investigações sejam intensificadas.

   O presidente da AMB, desembargador Cláudio Maciel, está agendando audiências com o ministro da Justiça, Márcio Thomáz Bastos, para pedir prioridade ao trabalho da Polícia Federal. Além disso, a Associação procurará o Ministério Público do Rio de Janeiro para que a instituição investigue a fundo o monitoramento que a Kroll fez de desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado, de acordo com o noticiário da imprensa.

   Cláudio Maciel afirma que a AMB tem plena consciência da legalidade de investigações privadas, mas que ninguém pode aceitar o uso de meios ilícitos como monitoramento de mensagens eletrônicas e escutas telefônicas sem autorização judicial. “Isso é crime que deve ser investigado e, caso comprovado, os responsáveis devem ser punidos, tanto a empresa que contratou os serviços quanto a que os executou”, acrescenta.

   Para o desembargador, “é inaceitável que uma empresa privada investigue ministros de Estado e desembargadores de um país ilegalmente para levar vantagem em uma disputa comercial de mercado”. Segundo Cláudio Maciel, o fato revela a fragilidade das estruturas de segurança dos poderes constituídos no Brasil, “além da falta de escrúpulos que caracteriza o pragmatismo econômico em nome do lucro a qualquer custo”.

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