A juíza Vanessa Mateus argumentou que a discussão não pode se restringir às mulheres, devendo ser tratada por toda a sociedade

A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Vanessa Ribeiro Mateus, participou, nesta quinta-feira (18), da palestra "Mulheres ocupando espaços de poder" promovida pelo Observatório em Diálogo. O evento ocorreu no Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, com participação do desembargador Wagner Cinelli.

Em discurso, a juíza reforçou a necessidade de ampliação do debate sobre violência de gênero. Segundo Vanessa Mateus, restringir o debate ao público feminino não é o suficiente, pois é preciso converter o tema em uma pauta civilizatória para promover uma transformação na sociedade.

"A gente vai nos eventos e só fala com mulheres, só fala para mulheres, só mulheres falam com o público feminino. A gente precisa transformar isso em uma pauta civilizatória, não é uma pauta feminina", explicou. "A gente só vai se sentir caminhando quando a gente conversar com homens, quando a gente tiver homens também falando sobre o assunto lado a lado."

A magistrada afirmou que, embora seja possível identificar progresso na equidade de gênero, os avanços ainda não são suficientes para assegurar a igualdade entre os gêneros nos espaços de poder.

As mulheres no poder

A presidente da AMB relembrou que as primeiras mulheres a tomarem posse como juízas em São Paulo participaram do 146º Concurso de Ingresso na Magistratura paulista, realizado em 1980. Isto é, 58 anos após o primeiro concurso público para a categoria na região.

Hoje, embora cada vez mais mulheres sejam aprovadas no certame, elas ainda representam menos de 40% da magistratura brasileira e ocupam menos de 10% das cadeiras dos tribunais superiores. Conforme explicou Vanessa Mateus, foram estes números que basearam as resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que promovem paridade de gênero nas promoções por merecimento e na ocupação dos cargos de chefia.

"O acesso aos tribunais não se faz exclusivamente por concurso, mas se faz por política [...] e a ocupação das mulheres nos espaços da política é dificultado por uma série de fatores", afirmou.

Neste contexto, a magistrada sustentou que garantir a permanência efetiva das mulheres nos cargos de poder é tão importante quando assegurar a entrada destas, visando preservar a "voz" deste grupo em espaços ainda pouco acessíveis.

(ASCOM/AMB)

Fotos: ASCOM/AMAERJ

Gostou? Então compartilhe!