“Levo comigo a convicção de que a Justiça é um ideal em constante construção”, afirma tesoureira da AMB, Maria Isabel, em homenagem por sua aposentadoria

Solenidade no TJDFT marcou o encerramento de 30 anos de carreira
A aposentadoria da juíza Maria Isabel consagra uma trajetória inteiramente dedicada à Justiça. Uma liderança que abriu caminhos com determinação, sem nunca abdicar de um gesto simples — e poderoso: o sorriso.
Em cerimônia realizada nesta quinta-feira (16), no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a magistrada foi homenageada por familiares, amigos, colegas e servidores, em um ambiente marcado por emoção e reconhecimento. Em seu discurso, relembrou o início da carreira e o percurso construído ao longo de três décadas na magistratura.
“Nesses 30 anos como juíza, tive o privilégio de decidir sobre questões que impactaram profundamente a vida de muitas pessoas. Em cada processo, encontrei histórias, conflitos, dores e esperanças. Procurei compreender que, por trás de cada narrativa, existem vidas reais, que exigem sensibilidade, equilíbrio e responsabilidade. Foi com senso de dever, prudência e compromisso que busquei honrar a confiança depositada em mim. Levo comigo a convicção de que a Justiça é um ideal em constante construção. Saio da mesma forma que entrei: com a cabeça erguida, altiva e com a feliz sensação de missão cumprida”, afirmou.
Pioneira também no associativismo, Maria Isabel foi a primeira mulher a presidir a Associação dos Magistrados do Distrito Federal (Amagis-DF), na gestão 2004-2008, abrindo caminho para que outras magistradas ocupassem espaços de liderança.
Na AMB, construiu uma trajetória de mais de duas décadas, tendo exercido a vice-presidência e, atualmente, o cargo de tesoureira. Para ela, o associativismo ampliou sua visão sobre a magistratura e sobre a vida.
“A AMB me ensinou a conviver com ideias e opiniões diversas e a compreender, de forma mais profunda, os desafios da magistratura. Aprendi a ouvir, a somar e a buscar, de maneira coletiva, as melhores soluções para os problemas que enfrentamos”, destacou.
Legado e amizade

Da juventude em Araxá, onde iniciou como balconista em uma padaria, aos mais altos espaços do Judiciário no Distrito Federal, Maria Isabel construiu uma trajetória marcada por esforço e propósito. Cada etapa deixou marcas refletidas nas homenagens recebidas ao longo da cerimônia.
Em seu discurso, Maria Isabel fez uma menção especial ao colega de turma no concurso da magistratura, o juiz Carlos Alberto Martins Filho, atual vice-presidente de Gestão e Prerrogativas da AMB e presidente da Amagis-DF. Para ele, a trajetória de Maria Isabel representa um verdadeiro exemplo para a magistratura nacional.
“A magistrada Maria Isabel marcou profundamente a magistratura do TJDFT e também a magistratura nacional. Sempre dedicada à defesa intransigente da toga e das prerrogativas de magistrados e magistradas, construiu uma trajetória que inspira e fortalece a todos nós. É uma liderança admirável e um exemplo constante. Para mim, em especial, é uma grande alegria compartilhar essa caminhada como amigo, integrante da mesma turma de concurso e parceiro de Diretoria da AMB. Sinto orgulho e honra de estar ao seu lado — e ainda mais por saber que seguiremos juntos nessa atuação, em prol da magistratura”, disse o juiz.
Na cerimônia, o vice-presidente de Planejamento Estratégico da AMB, juiz Cristiano Vilhalba Flores, destacou a força da magistrada e sua dimensão humana.
“Desde que a conheço, a Bel — como a chamamos com carinho na AMB — é a expressão do que há de melhor na magistratura. Uma líder respeitada e, acima de tudo, uma pessoa que acolhe e inspira. Sua trajetória demonstra a relevância de sua atuação para a magistratura nacional. Na AMB, a Bel é uma ‘cláusula pétrea’, nosso porto seguro. Mesmo com a aposentadoria, é impossível imaginar a magistratura sem a sua contribuição. Tenho a alegria e o privilégio de chamá-la de amiga, e a certeza de que ainda compartilharemos muitos momentos”, afirmou.
Cerimônia prestigiada
As homenagens também vieram de colegas, autoridades e familiares. A desembargadora aposentada Carmelita Brasil ressaltou a combinação rara entre firmeza e sensibilidade. O presidente em exercício do TJDFT, desembargador Roberval Belinati, destacou a excelência técnica e o compromisso com a Justiça. Já o corregedor, desembargador Mário-Zam Belmiro Rosa, emocionou-se ao falar da alegria e da força da magistrada.
Representando a Amagis-DF na cerimônia, o juiz Pedro Yung Tay Neto destacou o legado da colega. “Maria Isabel personifica uma geração de magistrados que não apenas desbravou novos caminhos, mas também os pavimentou com competência, coragem e dignidade, permitindo que inúmeras mulheres trilhassem uma jornada mais justa e reconhecida. Sua dedicação consolidou a presença feminina em posições de liderança não por concessão, mas como consequência do mérito e da autoridade que construiu ao longo de sua carreira. Sua influência continuará a reverberar nas instituições que fortaleceu e nas pessoas que inspirou”, declarou.

Em um dos momentos mais tocantes da cerimônia, a filha Larissa Silva resumiu a presença da mãe em sua vida: “Sempre trabalhou e se dedicou muito para me proporcionar uma vida boa, e agora também para a neta Maria Rosa. Só tenho a agradecer e dizer que sou muito feliz por ser sua filha.”
Também prestigiaram a solenidade o juiz auxiliar da Presidência, Eduardo Rosas; o juiz auxiliar da 1ª Vice-Presidência, Luis Martius Junior; os juízes auxiliares da Corregedoria Caio Brucoli, Monize Marques e João Marcos Guimarães Silva; o secretário-geral, Celso de Oliveira; a secretária de Gestão de Pessoas do TJDFT, Carmen Lemes — que entregou uma placa em homenagem à magistrada; o servidor Gilberto José dos Passos Junior; além de desembargadores(as), juízes(as), amigos(as) e familiares.
Trajetória marcante
Maria Isabel de Lourdes Silva nasceu em Araxá (MG). Cursou o primário no Grupo Escolar Dr. Eduardo Montandon, o ginasial e o curso normal no Colégio Jesus Cristo, além de Contabilidade na Escola Técnica de Araxá. Iniciou sua vida profissional como balconista na Padaria Araxá e, posteriormente, atuou no Empório e Bar São Vicente e no Mercado Araxá.
Foi professora primária em Pratinha (MG), em 1970. Em 1971, ingressou por concurso público na Caixa Econômica como escriturária. Graduou-se em Direito pela Faculdade Milton Campos, em 1984, e, em 1986, foi aprovada como advogada da instituição.
Em 1991, foi aprovada no concurso de Procurador da Fazenda Estadual. Em 1995, obteve aprovação para a magistratura em Minas Gerais e no Distrito Federal, optando pelo TJDFT, onde tomou posse como juíza de Direito substituta em 2 de fevereiro de 1996. Atuou em Ceilândia, na 2ª Vara de Família, e, em Brasília, na 4ª Vara da Fazenda Pública, no Juizado de Violência Doméstica, na 1ª Vara de Órfãos e Sucessões e na 3ª Vara de Família.
Foi a primeira mulher a presidir a Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios (Amagis/DF), no período de 2004 a 2008, onde ocupou, também, cargos de Diretora de Patrimônio, Vice-Presidente e Tesoureira. Na Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), ocupou o cargo de Conselheira Fiscal, Vice-Presidente e Tesoureira.
Henrique Bolgue (Ascom/AMB)




