Carregando...

AMBBotão Menu

Pré-lançamento da I Coletânea ENAJUN/FONAJURD

Obra reúne artigos com temática racial e antidiscriminatória. “Quantas vezes estive à frente de um magistrado(a) negro(a)?”, refletiu a primeira e única professora negra da USP

 

O Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (ENAJUN) e o Fórum Nacional de Juízas e Juízes contra o Racismo e todas as formas de Discriminação (FONAJURD) promoveram o pré-lançamento da obra “O Saber como Resistência: I Coletânea ENAJUN/FONAJURD”, que reúne artigos com temática racial e antidiscriminatória. O evento tem o apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A palestrante convidada é a professora e doutora Eunice Aparecida de Jesus Prudente, que fez um histórico do racismo e da discriminação no Brasil.

Pioneira do Movimento Negro e primeira e única docente negra da Universidade de São Paulo (USP), a convidada trouxe a temática – “Ser Negro no Brasil: Cidadania Sob Suspeita”. A sua luta de combate ao racismo ultrapassa o universo acadêmico. A partir de uma trajetória de superação, ela convive com o racismo e com a discriminação. A professora Eunice Prudente lançou a reflexão “Quantas vezes estive à frente de um magistrado(a) negro(a)? Pouquíssimas vezes. Acho que foram três vezes”.

Após lembrar que 56% da população brasileira é formada por negros, a palestrante destacou que essa maioria enfrenta grandes desafios para exercer a cidadania. “Existe um racismo estrutural. O discriminado, muitas vezes, acha normal esse tratamento. A Ciência já comprovou que não há raças entre humanos, mas ainda há negativismo, pessoas que ainda acreditam na existência de raças humanas e de que há hierarquia entre elas. Os racistas estão presentes ainda entre nós”, enfatizou.

A professora Eunice apresentou novas propostas de enfrentamento a estes tipos de práticas criminosas. “A minha sugestão é realmente uma educação em direitos. Essa percepção de diferenças precisa estar na escola infantil, ensino fundamental, médio e superior. As diferenças biológicas, étnicas, culturais e outras exigem respeitabilidade, aceitação e é por isso que estamos aqui”, reforçou.

Os autores dos trabalhos selecionados para compor a I Coletânea ENAJUN/FONAJURD” acompanharam a palestra. Eles são pesquisadores(as) de diferentes níveis acadêmicos, de graduandos(as) a doutores(as), que participaram da chamada pública realizada por edital lançado no início do ano.

O vice-presidente de Direitos Humanos da AMB, Fábio Francisco Esteves, integrante da Comissão Julgadora, lamentou a baixíssima presença de pessoas negras nos corpos docentes das instituições brasileiras de ensino. Ele afirmou que os artigos escolhidos representam um grande passo no combate ao racismo.
“O lançamento desta obra vem de alguma maneira resistir, lançar luz sobre o epistemicídio. Eu tive a oportunidade de ler todos os artigos e ali consegui capturar um tanto da experiência de cada autor e cada autora dessa obra que sai daqui, hoje. Isso me faz perceber o tanto que essa obra tem o poder transformador. Mas, ao mesmo tempo me entristece, porque sei que ainda somos minoria produzindo intelectualmente”, analisou.

A diretora de Promoção da Igualdade Racial da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Flávia Martins de Carvalho, uma das organizadoras da Coletânea, parabenizou os autores pela qualidade dos trabalhos e enfatizou a importância da presença da convidada, inclusive, no contexto de concretização de uma obra tão relevante para o enfrentamento de práticas discriminatórias.

“O quanto é bom a gente poder ouvir uma pessoa que conhece da história pela própria vivência da história. Ela falou de vários episódios de construção de saberes de vivências de espaços a partir da própria vivência. Temos que aproveitar para ouvi-la contar daquilo que ela conhece da própria vivência. Ela contribuiu para que nós hoje tenhamos esse espaço de fala, de produção de saber, de produção de conhecimento. Transmite o seu grandioso conhecimento para todos nós. Precisa ser reverenciada. Ela também sofreu um processo de apagamento pelo racismo institucional e estrutural dentro da universidade pública e dentro da história do nosso país. Nosso verdadeiro agradecimento à grande mestre”, finalizou.

Participaram também da organização da Coletânea os juízes Adriana Melonio (TRT1) e Edinaldo César Jr. (TJ-SE). Integraram o Comitê Científico as juízas Bárbara Ferrito (TRT1); Gabriela Lenz Lacerda(TRT4) e os juízes Marco Adriano Ramos Fonsêca (TJ-MA) e Fábio Francisco Esteves (TJDFT), além da professora doutora Eunice Prudente (USP).

Para conferir o pré-lançamento na íntegra, clique aqui. 

Clique aqui e adquire a I Coletânea ENAJUN/FONAJURD.

 


 

Daiane Garcez (ASCOM)

ASSOCIADO