Associação dos Magistrados Brasileiros
AMBBotão Menu

Painel do VII Enaje reúne especialistas para discutir Fake News e Redes Sociais

A ascensão das chamadas notícias falsas, mais conhecidas como fake news, e as redes sociais foram a temática do terceiro painel do VII Encontro Nacional de Juízes Estaduais (Enaje), promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em parceria com a Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar). A mesa foi presidida pela juíza Patrícia Cerqueira, integrante da Secretaria de Prerrogativas da AMB.

A juíza Ana Carla Criscione dos Santos, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), destacou em sua fala que a tentativa de contar mentiras e falsificar informações “sempre existiu na história do mundo”. Ela apresentou dados da pesquisa da Reuters Institute for the Study of Journalism e da Universidade de Oxford sobre a credibilidade da mídia tradicional. Conforme o levantamento, 60% opinaram que a mídia tradicional não faz um bom trabalho na separação entre fato e ficção, e 67% opinaram que a mídia tradicional tem viés ideológico. Segundo Ana Carla Criscione, a informação ruim se combate com boa informação, empoderamento intelectual, discernimento e aprofundamento do conhecimento.

Na mesma linha, a juíza Beatriz Fruet Moraes, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), destacou alguns dados estatísticos importantes sobre o tema, como o estudo divulgado pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e pelo Instituto Nacional Francês, de 2016, que apontam que 59% dos links compartilhados nas redes sociais não chegam a ser clicados. A magistrada pontuou também o estudo do Nielsen Norman Group (EUA) divulgado em 2013 que mostrou que 81% dos leitores apenas “voltam os olhos” para o primeiro parágrafo de um texto da internet. Outro destaque foi o estudo publicado pela empresa We are Social, de Londres, em 2018, que revela que 62% da população brasileira está ativa nas redes sociais. Por fim, Beatriz Moraes comentou a divulgação feita pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação da USP, em 2016, que revelou que eram falsas três das cinco notícias mais partilhadas no Facebook uma semana antes da votação da abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Em seu pronunciamento, o deputado federal Marcos Pereira (PRB-SP), 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados, pontuou as ameaças que as fake news, potencializadas pela velocidade e amplitude de alcance das redes sociais, representam para a Democracia. “Ao mesmo tempo em que são uma ameaça, também representam um dilema para sociedades como a nossa, que prestigiam a liberdade de opinião e de atuação da imprensa”, explicou. O parlamentou citou, ainda, que o tema tem sido debatido no âmbito do Congresso Nacional, sendo inclusive objeto da Frente Parlamentar Mista de Enfrentamento às Fake News, além de diversos projetos de lei que visam a sua adequada tipificação e responsabilização civil e criminal de seus autores e propagadores. “Reitero a minha confiança no Poder Judiciário e coloco o meu gabinete à disposição para ideias e sugestões para discutir a temática”, afirmou.
O presidente da Record TV, Luiz Cláudio Costa, também participou das discussões. Para ele, noticia falsa é desinformação proposital para criar o caos e gerar lucro a quem as disponibiliza. Na ocasião, ele orientou como consumir a notícia na era digital: cheque a fonte, verifique a data de publicação, identifique a matéria sensacionalista ou clickbait (caça-clique), analise se os dados da notícia são de fontes confiáveis e, por último, não compartilhe caso tenha dúvida.

Para a advogada e especialista em contencioso envolvendo redes sociais Patrícia Martins, fake news não são um produto das redes sociais, mas da humanidade. Ela explicou que as empresas de tecnologia, os veículos de imprensa e as organizações sem fins lucrativos estão lutando contra as fake news.

Renata Brandão

Campanhas e Eventos