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Magistrada cria projeto Leitura Amiga e leva o hábito da leitura para abrigos

Juiza Marina Freire criadora do Projeto Leitura Amiga em SP

Marina Freire é a idealizadora do projeto que já conta com 60 voluntários; Participe dessa iniciativa

Uma ideia surgida em meio à quarentena está ajudando a levar cultura, educação e conhecimento a dezenas de crianças e adolescentes de abrigos no Estado de São Paulo. É o projeto Leitura Amiga, criado pela juíza auxiliar da comarca de Bauru, Marina Freire, que consiste em promover lives de leitura de livros feita pela própria magistrada e por voluntários.

O programa, que começou há cerca de dois meses com dois abrigos de Bauru (SP), hoje conta com 24 instituições em aproximadamente dez cidades do Estado paulista (Araçatuba, Assis, Bauru, Birigui, Cajuru, Inúbia Paulista, Garça, Santos, São Paulo e São Sebastião) e cerca de 60 leitores amigos, incluindo crianças. A página no Instagram (@projetoleituraamiga) tem mais de 850 seguidores. A agenda de lives está tomada até o fim de novembro. O objetivo, agora, é levar o projeto para mais abrigos e angariar mais voluntários, estendendo a iniciativa por todo o Brasil.

Marina Freire sempre cultivou o hábito da leitura para os filhos, de 2 e 8 anos. Por ter recebido elogios pela educação das crianças e notar que o vocabulário deles ficou mais rico e a imaginação solta resolveu que também iria levar a atividade às crianças abrigadas. “Esse é um momento que você está juntinho, dando risada, ensinando uma palavra que eles não conhecem. Então, pensei: ‘Eu preciso estender esse momento para as crianças dos abrigos’”, disse a magistrada. “Sempre acreditei no progresso por meio do estudo. É a única coisa que ninguém tira da gente.”

Primeiramente, a juíza quis fazer o trabalho de forma presencial. Com a pandemia, os encontros virtuais foram a saída ideal não só para pôr em prática o projeto como atender mais crianças ao mesmo tempo e ainda oferecer uma nova atividade a elas em tempos de distanciamento social.

Trabalho solidário ajuda a expandir o projeto

A própria magistrada contatou seis abrigos da cidade: dois acolheram o projeto, inicialmente. Após compartilhar a iniciativa com colegas magistrados, o trabalho ganhou força. “Os juízes Paulo Fadigas, de São Paulo, e Ubirajara Maitinguer, de Bauru, logo me recepcionaram e me deram carta branca para fazer contato com os abrigos. Esse apoio é fundamental”, disse Marina Freire.

A rede solidária cresceu: um advogado de São Paulo doou três laptops para abrigos que não tinham computador. Vários colegas e até seus filhos passaram a colaborar como leitores amigos, entre eles o jornalista Tiago Maranhão, que foi apresentador do SporTV e participou com sua filha.

Marina Freire, criadora do projeto Leitura Amiga

Leitura estimula mudança de comportamento das crianças

Marina Freire lê toda semana para os abrigados, usando sempre adereços divertidos e envolvendo a criançada na trama. “Peço para os abrigos colocarem plaquinhas com os nomes das crianças. Aí ao longo da história, vou trocando o nome de personagens pelos nomes das crianças. Eles adoram”, disse. “Outro dia uma leitora amiga se vestiu de sereia. As crianças enlouqueceram!”

Ao final, o público participa sempre de forma muito animada, fazendo coração com a mão, elogiando ou criticando o livro e dando sugestões. Até já fizeram amizade virtual entre equipes de abrigos diferentes.

Segundo Marina Freire, o projeto trouxe resultados inesperados, como o caso de cinco irmãos que moram juntos em um abrigo e que mal se falavam até ficarem uma noite, por horas, falando sobre um livro apresentado.

Outro caso é o de um garoto de 11 anos, o único do abrigo que quis participar. “Todo dia ele entra, eu mando beijo. Aí um mais velho começou a entrar com ele. Na quarta-feira (2/9), o abrigo inteiro entrou, todos os adolescentes juntos”, diz a magistrada.

Leitura Amiga em mais abrigos

Os encontros do Leitura Amiga acontecem de segunda a sexta, às 20 horas, com sessões esporádicas aos sábados e domingos. Cada sessão dura, em média, meia hora, e começa sempre com uma música própria do projeto, cantada por todos os participantes.

Os leitores amigos sugerem a obra a ser lida. A única restrição que a magistrada faz é livros que tratem da família tradicional, com pai e mãe, porque isso pode ser doloroso para as crianças. “Digo aos leitores amigos para lerem um livro que eles mesmos gostem”, disse. E a diversidade de temas é grande: teve um em inglês, traduzido na sequência das falas, e um sobre nutrição, por exemplo.

Marina Freire não pensa em arrecadar donativos ou dinheiro. “O carinho que os voluntários podem oferecer às crianças é impagável”, afirmou.

Seu objetivo é expandir o projeto para mais abrigos, e para isso coloca à disposição seus contatos (mfreire@tjsp.jus.br) pela página do Instagram (@projetoleituraamiga).

Quer fazer parte?

Podem ser leitores amigos todos aqueles que gostem de ler para crianças. O projeto está aberto a novos parceiros voluntários e para levar a iniciativa para mais abrigos pelo país.

Para integrar a equipe ou receber o projeto e acompanhar os momentos de leitura, basta ter um computador ou aparelho conectado à internet. Mas os abrigos interessados, mesmo sem essas condições, também podem entrar em contato para receber ajuda.

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Com informações da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis)

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