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Leandro Karnal fala sobre os desafios da Magistratura no século XXI na abertura do Enaje

Fotos: Mídia Z Produções

A conferência de abertura da sétima edição do Encontro Nacional de Juízes Estaduais (Enaje), na noite desta quinta-feira (23), em Foz do Iguaçu (PR), foi conduzida pelo professor e historiador Leandro Karnal. Com o tema “Os desafios da Magistratura no século XXI”, Karnal trouxe pensamentos que estimularam a reflexão sobre o papel do juiz como peça-chave de mudança no País, fazendo contrapontos entre a história das relações humanas atuais e passadas.

Com formação que passa por história cultural, antropologia e filosofia, Leandro Karnal destacou a evidência da atuação do Judiciário em uma sociedade hoje marcada pela ascensão de desafios diários impostos pela velocidade dos fatos e o avanço tecnológico, que impactam o modo de agir, pensar e se relacionar. “Se no passado era desejado que as pessoas tivessem equilíbrio, hoje é imperativo”, frisou.

Segundo o professor, em tempos turbulentos a Magistratura cresce. “A Magistratura mais do que nunca é uma referência. A ideia da aplicação isonômica da lei, fundamento da República, depende de tribunais, e não mais de opinião de alguém por causa de sua religião, sua convicção ou gênero. A lei é o fiel da balança”.

Pensando no momento específico que o Brasil atravessa, Karnal destaca que a lei sempre vai comportar hermenêutica. “Mas se é para fazermos uma reforma constitucional, novas reformas nos códigos, que seja para aprofundar tudo aquilo que a lei tem de maravilhosa, de proteção ao indivíduo”, ressaltou.

Na sua visão, a lei tem que ser aplicada, trabalhada, justa, equilibrada, e os juízes são parte desse processo. “Em um País com as nossas diversidades sociais, a lei é muitas vezes a esperança de alguém que não tem mais nada”, ressaltou. “É preciso parar e pensar qual a nossa função social. Ela é enorme para o Brasil”.

Por fim, Leandro Karnal enfatizou que em meio ao caos, “tem que brilhar a Justiça”. Suficientemente cega, ressaltou, para ser neutra. “Mas, sempre com a espada na mão porque Justiça fraca é uma justiça inoperante”, disse. “É necessário que vocês tenham essa consciência. Os outros podem entrar em pânico, mas vocês são os pilotos do avião”, alertou.

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