O crime organizado marcou um ponto no sul do Pará. Conseguiu afastar da região o juiz do Trabalho Jorge Ramos Vieira. O magistrado vinha sendo ameaçado de morte em função de sua atuação no combate ao trabalho escravo na região de Parauapebas. O caso foi denunciado na imprensa e o juiz recebeu o apoio da AMB, que divulgou nota solidarizando-se com Vieira e apelando ao Ministério da Justiça para que atendesse o pedido de escolta policial para protegê-lo.
   A escolta, porém, funcionou por apenas quatro dias. A Polícia Federal alegou falta de pessoal para atender o pedido.Impossibilitado de dar continuidade à atuação, o magistrado foi chamado para o Tribunal Regional do Trabalho, em Belém, onde se encontra desde ontem, segunda-feira. Ele ficará à disposição do TRT por prazo inicial de 60 dias, que pode ser renovado. Depois disso, deverá ser removido para outra vara.
   “O Plano de Erradicação do Trabalho Escravo do Governo Federal não saiu do papel. Por enquanto, são apenas boas intenções. Ninguém foi preso e as ameaças continuam na região. Por isso, minha permanência se tornou insustentável”, contou o juiz.
   Jorge Vieira participará de painel no XVIII Congresso Brasileiro de Magistrados, que acontece em Salvador de 22 a 25 de outubro. Junto com o presidente da Anamatra, Grijalbo Coutinho, falará sobre trabalho escravo e direitos humanos.

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