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Fosso social: Emag debate desigualdade escancarada pela pandemia de Covid-19

| Ascom AMB

Renata Gil destacou a população preta e parda em situação de maior vulnerabilidade. A presidente da AMB falou sobre a necessidade de estratégias do Poder Executivo no combate ao racismo

Na última semana do Mês da Mulher, a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, foi convidada pela Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região (Emag) para debater a intersecção racial. O evento também contou com a participação da jornalista e comentarista do canal GloboNews, Flávia Oliveira. Durante a live realizada no YouTube da instituição, Renata Gil ressaltou que a pandemia da covid-19 demonstrou que determinados grupos estão em situação de maior vulnerabilidade que outros. De acordo com a magistrada, destaca-se a população preta e parda, em decorrência do racismo estrutural.

A magistrada trouxe para o debate um estudo da FioCruz que mostra que a desigualdade se dá em número de mortes, no acesso à saúde e até na disponibilidade de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dos hospitais, uma vez que 60% estão localizados nos centros das cidades. A presidente reforçou a ideia que “o Poder Executivo (Federal e Estadual) deve estar atento às violações de direitos humanos que refletem na população periférica”.

“A AMB trabalha junto ao Legislativo para colaborar na melhoria das Leis que dispõem sobre o enfrentamento da violência contra a mulher e o racismo. A AMB luta neste sentido, mas precisamos que os Executivos elaborem estratégias, com metas definidas, para intensificar esse processo de combate à discriminação e defender os ideais guardados pela nossa Constituição Federal”, afirmou.

A desembargadora Federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), Daldice Santana, realizou a abertura do evento e lembrou que as desigualdades de gênero, raça e classe social decorrem da história escravocrata do país. “A abolição que formalmente equiparou negros e brancos em termos de usufruto da liberdade e da igualdade não veio acompanhada de oportunidades e condições para se ter um trabalho formal, uma moradia digna, saúde, assistência e acesso à Justiça”, afirmou. A magistrada reforçou que o resultado disso foi a intensificação de um processo de pobreza visível e favelização da população negra.

Flávia Oliveira, jornalista e comentarista do canal GloboNews, falou sobre os efeitos da pandemia na sociedade brasileira e da maior exposição da população negra nos trabalhos essenciais. “A gente não pode seguir no Brasil debatendo políticas públicas e fazendo diagnóstico socioeconômico à luz de uma universalidade que não nos homogeniza. Nós sabemos que não somos assim e que as desigualdades e assimetrias nos abatem de maneiras diferentes. Isso vale para o mercado de trabalho, educação, condições sociais, Justiça e polícia”, disse.

Isadora Brandão, defensora pública e coordenadora do Núcleo Especializado de Defesa da Diversidade e da Igualdade Racial da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, estabeleceu premissas necessárias para o enfrentamento ao patriarcado, ao racismo e às novas formas de colonialismo do Poder. “A ferramenta interseccional ganha relevância a partir de um trabalho coletivo e essencial para nós mulheres negras. Quando falamos de divisão racial e sexual do trabalho estamos falando deste substrato material das relações de dominação entre os sexos que se estrutura basicamente em dois sentidos: a ideia de separação do trabalho e a ideia de hierarquização de funções”. De acordo com ela, a primeira é a ideia que há trabalhos femininos e outros masculinos. E a segunda é onde os trabalhos masculinos são considerados superiores aos femininos.

Assista ao vídeo completo abaixo:


Mahila Lara

Assessoria de Comunicação da AMB 

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