O encontro reuniu autoridades e especialistas para debater a violência política de gênero e raça

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), reafirmando o seu compromisso com a inclusão, promoveu nesta terça-feira (02) um encontro com juristas e especialistas para debater o papel do Sistema de Justiça no combate à violência política de gênero e raça. O evento foi organizado para celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, comemorado no dia 25 de julho.

Na abertura do evento, a presidente da AMB, Renata Gil, falou sobre as resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que buscam garantir a igualdade de gênero e o acesso da população negra aos cargos do Poder Judiciário.

Renata Gil ainda apresentou dados que mostram que as mulheres negras representam apenas 4,91% das magistradas no país e reafirmou o compromisso da Associação com a busca pela igualdade de gênero no Sistema de Justiça. “Deixo reafirmado o compromisso desta entidade não só no incentivo à participação feminina na política, mas na proteção das mulheres: brancas, negras, índias, pardas, quilombolas. Continuaremos trabalhando pela igualdade de gênero no Poder Judiciário”, disse.

Ainda de acordo com a magistrada, a Associação continuará atuando e incentivando que mulheres ocupem espaços de poder. “A AMB será vigilante e parte integrante desse movimento de proteção às mulheres de modo que nós criemos de verdade um incentivo à participação feminina na política”.

A diretora de promoção da igualdade racial da AMB, Flávia Martins de Carvalho, afirmou que as mulheres - e principalmente as mulheres negras - não são representadas no espectro político e isso tem um impacto na democracia. “A Constituição tem palavras muito potentes que nós precisamos concretizar. Somente com o trabalho de ampliação da democracia por meio da representatividade das mulheres de todas as matizes é que nós vamos conseguir construir, de fato, um país em que as palavras de uma sociedade livre, justa e solidária não sejam apenas um mero texto”.

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Claudia Bucchianeri reforçou a falta de mulheres negras nos espaços de poder e a necessidade de que se debata o tema para que elas não sejam invisibilizadas. “Nós temos em comum a nossa condição feminina e a dificuldade de sermos vistas como pertencentes nos ambientes de poder. Mas a mulher negra sofre camadas e camadas de opressão”, afirmou. “Para superar este estado de coisas, que demora a progredir, eu cumprimento a AMB por trazer essa pauta pelo tamanho e força que a entidade tem na magistratura”, concluiu.

A advogada Vera Lúcia Santana de Araújo, que integra a lista tríplice para ocupar a vaga de ministra substituta no TSE, também esteve no evento e reforçou a importância de existirem pessoas negras no Poder Judiciário. “Quando não temos negras e negros no sistema de Justiça, temos uma prestação jurisdicional precarizada para a maioria da população”, destacou, falando da importância de eventos que tragam esse tipo de discussão.

No encontro, também palestrou a professora Salete Maria da Silva, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que falou sobre o risco à democracia por falta de representatividade. A integrante da Comissão de Promoção da Igualdade Racial do TSE, Sabrina Braga, destacou dados que mostram a baixa participação de mulheres negras no processo eleitoral. Já a advogada especialista em direito digital, Jéssica Guedes, abordou os algoritmos das redes sociais e de que forma essa sistemática colabora para a perpetuação do racismo.

Também participaram do evento a assessora do Núcleo de Inclusão e Diversidade da Secretaria-Geral da Presidência do TSE, Samara Pataxó, Patrícia Campos Guimarães (Comissão da Igualdade Racial da OAB-DF), Eunice Carvalhido (PGR), Dalila Negreiros (UNB) e Cristina Gama Neves da Silva (comissão eleitoral da OAB).

Para assistir às palestras na íntegra, clique aqui.


Laura Beal Bordin (Ascom AMB)

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