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A Eleita pela Magistratura – Entrevista com Renata Gil

Primeira mulher eleita à presidência da Associação após 70 anos de história, Renata Gil fala sobre os desafios que encontrará pelos próximos três anos à frente da AMB. Em entrevista ao jornal oficial da entidade, o AMB Informa, ela adianta que entre suas metas estão o fortalecimento da carreira e a preservação de suas prerrogativas, com um trabalho coeso e de permanente diálogo com os associados. 

A senhora foi eleita com quase 80% dos votos. O que os magistrados aposentados e da ativa podem esperar da sua gestão?

O resultado confirma o anseio da Magistratura em trabalhar unida pela defesa da classe. É com enorme orgulho e satisfação que representarei a Magistratura brasileira nesse próximo triênio. Um dos meus compromissos de campanha, que honrarei, é focar a atuação na adequada remuneração dos juízes, trabalhando pela aprovação da verba que prestigia seu tempo de Magistratura. Nossa carreira é vitalícia, o que impõe o mesmo tratamento a aposentados e ativos. Atuarei firmemente pela independência do Judiciário, pela autonomia dos tribunais e melhores condições de trabalho na primeira instância – que atende às metas do CNJ e dos tribunais sem os meios suficientes. Saúde e segurança dos magistrados serão cuidados de forma permanente e objetiva.

Quais serão os desafios de conduzir a principal entidade representativa da carreira em um de seus momentos mais difíceis, em virtude da polarização política e ideológica pela qual passa o País?

Os desafios serão, seguramente, menores do que a minha disposição de enfrentá-los olho no olho, com muita confiança na capacidade da equipe que montamos para superar quaisquer obstáculos que venham cruzar nosso caminho. O Poder Judiciário está em evidência. Qualquer decisão judicial de repercussão, hoje, é objeto de análise por jornalistas e pela população, o que nos deixa sujeitos a incompreensões. Estarei sempre atenta para que as prerrogativas constitucionais da Magistratura sejam preservadas, avançando na pauta do fortalecimento do Judiciário. Atuaremos firmemente pela autonomia constitucional dos tribunais.

O fortalecimento da Magistratura está entre uma de suas principais bandeiras. Como pretende trabalhar para que isso ocorra?

Agora, mais do que nunca, é hora de nos irmanarmos em torno da classe. Magistrados unidos, Judiciário forte. Retribuiremos toda a confiança com muito trabalho e dedicação. Vamos mostrar à sociedade brasileira que somos, efetivamente, a melhor Magistratura do mundo e que a AMB é a mais importante associação de magistrados do continente americano. Serei uma fiel guardiã das prerrogativas da carreira e honrarei a confiança de todos.

A senhora atua no associativismo há oito anos e já visitou todos os estados da federação. Almeja fazer uma gestão itinerante?

Minha atuação associativa, realmente, me levou a todos os estados brasileiros, onde pude conhecer a realidade do Judiciário em cada um deles. Não foi por acaso que tive, na minha chapa vitoriosa, representantes dos 26 estados e do Distrito Federal. Eles, na diretoria comigo, a partir de 11 de dezembro, me ajudarão nesse próximo triênio. Estados que nem sempre foram destaque na composição das diretorias estarão, agora, em posição de vanguarda. Posso garantir.

 Em sua avaliação, existe um distanciamento entre a Magistratura e a sociedade?

A Magistratura precisa de um canal de comunicação constante e eficiente com a sociedade. Noto que em alguns segmentos pode existir uma espécie de desconhecimento sobre a importância do papel da Justiça no Estado Democrático de Direito. As lideranças da Magistratura têm a obrigação de trabalhar arduamente para superar esse distanciamento. Sem o Judiciário forte, não há democracia.

O que significa ser a primeira mulher a presidir a AMB, em 70 anos de história, logo após ter sido a primeira a dirigir a Amaerj?

Em sua história de sete décadas, a AMB teve 31 presidentes, todos homens. Fui a primeira mulher a concorrer à presidência da AMB, assim como já havia ocorrido na Amaerj. A dificuldade das mulheres em alcançarem cargos de liderança na Magistratura é uma questão em pauta no Conselho Nacional de Justiça e em todas as frentes. Na comissão do CNJ que integro, estudamos as causas que obstam a progressão das magistradas aos cargos de liderança. A própria discussão do tema já importa em avanço, mas temos muito a fazer. Fico muito feliz de estar rompendo paradigmas. Com leveza e muita determinação. Na AMB, a representatividade não estará apenas na presidência. Mais de cem mulheres, grandes magistradas de todo o País, farão parte da nossa diretoria. Sem dúvida, a eleição inédita de uma mulher para a principal associação de classe da Magistratura brasileira terá reflexo na questão de gênero nos tribunais. Nós, mulheres, temos todas as condições de prosseguir na carreira, avançar à segunda instância, integrar o comando dos tribunais e dirigi-los.

 

 

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