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É possível ser feliz em tempos de crise?

A reflexão finalizou a série de palestras oferecidas pela ENM sobre saúde mental

A pandemia da covid-19 colocou a vida à prova da vulnerabilidade. Descobrir a felicidade em tempos imprevisíveis tornou-se uma pauta vital no cotidiano da humanidade. A pergunta latente, como grito social, é: como ser feliz em dias difíceis? O professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Alexandre Cabral, doutor em Filosofia encerrou o curso “Impactos na Pandemia e o Direito à Desconexão” oferecido pela Escola Nacional da Magistratura (ENM). O evento on-line reuniu magistrados de diversos lugares do Brasil, nesta quarta-feira (31).

Segundo os especialistas em comportamento humano, a necessidade inata de ser feliz na vida culminou-se para muitos uma obrigação a ser alcançada. A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, participou da abertura da aula e advertiu essa ideia impositiva.

“Nesse momento em que a gente padece com falta de saúde física, sabemos mais do que nunca que precisamos cuidar da saúde mental. É um assunto sério. Tem muita gente sofrendo, inclusive nossos familiares. Ser feliz não pode ser obrigação, mas um estado de espírito natural”, avaliou.

O curso também trata sobre os processos de conexão do indivíduo com sua integralidade e a sua desconexão com os fatores externos para viver a felicidade.

“É preciso a gente aprender sobre questão da desconexão. As nossas responsabilidades dificultam esse processo”, ponderou Renata Gil.

O diretor-presidente da ENM, desembargador Caetano Levi Lopes, falou sobre a gravidade dessa pandemia que deixará sequelas na sociedade.

“Eu já perdi vários colegas de concurso, vitimados pela covid-19. Teremos sequelas recentes e outras que vão permanecer ao longo do tempo. Precisamos nos  preparar. Hoje tivemos uma lição memorável do professor Alexandre Cabral, ao trazer o tema Felicidade em Tempos improváveis”, afirmou.

O encontro foi mediado pela desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ),  Cláudia Márcia de Carvalho Soares.

O professor Alexandre Cabral trouxe várias referências para explicar o conceito de felicidade – Rubens Alves, Dalai Lama e filósofos da Grécia Antiga. Todos convergem para a ideia de que a felicidade tem a ver com a nossa integralidade.

“A felicidade é quando exercemos o ato de existir. É preciso ser presente nos momentos da vida. Muitas vezes, nós estamos ausentes e não estamos inteiros. Não paramos para pensar quem nós somos e como somos”, refletiu.

O professor Alexandre Cabral compartilha da mesma opinião da presidente Renata Gil de que felicidade não deve ser uma obrigação e nem idealizada. Segundo ele, no mercado editorial há muitos livros sobre felicidade, de forma imperativa, e isso, tem sido tóxico à saúde mental.

“O que está em jogo na felicidade é a integralidade na condição humana. Não existe formula mágica. O exercício da felicidade é um exercício de quem nós somos a toda vez. É o fato de que a vida não tem sobras e nem débitos. Ela acontece a cada vez onde exercemos o ato de existir”, afirmou.

Para Alexandre Cabral é preciso viver a felicidade possível, a impossível é apenas uma idealização.

“Eu tive covid-19. Sofri muito. Mas neste tempo doente, eu experimentei a grandeza da vulnerabilidade. Eu pensei que fosse morrer. Lembro da minha esposa dizer que estava com saudade de mim. Essa palavra foi de um beleza enorme. Isso me fez ver o quanto que sou amado”, comentou.

O curso “Impactos na Pandemia e o Direito à Desconexão” foi dividido em seis aulas que abordou sobre administração do tempo e outros desafios gerenciais no ambiente de trabalho remoto, a importância de dormir, saúde mental entre outros.

Os interessados em acompanhar as ofertas dos cursos da ENM devem acessar o site: escoladamagistratura.amb.com.br


Jonathas Nacaratte 

Assessoria de Comunicação da AMB

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