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Constelação familiar: técnica ajuda a romper ciclo de violência doméstica

A Constelação Familiar, técnica criada pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, e levado ao Poder Judiciário brasileiro pelo juiz da Bahia Sami Stoch, vem sendo utilizada com bastante eficácia por magistrados de várias partes do Brasil como um método moderno de resolução de conflitos e pacificação social. Na Justiça, a técnica visa buscar esclarecer para as partes o que há por trás do conflito que gerou o processo judicial, facilitando o entendimento e a resolução do mesmo.

No estado de Mato Grosso, o Tribunal de Justiça tem desenvolvido uma política forte de expansão em centros judiciários de resolução de conflitos para mediação e conciliação e já possui várias oficinas como a de pais e filhos e a de Direito Sistêmico, além do Núcleo de Justiça Restaurativa, o que contribui em muito para uma prestação jurisdicional moderna e de qualidade em busca pela pacificação social mais eficiente.

O juiz Jamilson Haddad Campos, da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá (MT), foi o pioneiro em trazer a técnica das Constelações Familiares para as Varas de Violência Doméstica do Estado de Mato Grosso, no ano de 2016. Desde então, as Constelações Familiares têm sido utilizadas na Vara Especializada, e na visão de Jamilson Haddad, a técnica permite que as vítimas tomem consciência do emaranhado emocional e do ciclo de violência em que estão inseridas com seus parceiros. “Ao tomarem conhecimento das leis que regem a vida, ou seja, lei do pertencimento, lei da hierarquia e lei do equilíbrio entre o dar e o receber, se empoderam e ganham força para mudar esse padrão relacionado ao ciclo da violência”, disse o juiz.

Já os homens agressores, segundo ele, ao tomarem conhecimento sobre os aspectos da cultura machista e patriarcal e das leis sistêmicas, trazem à consciência um novo olhar rompendo com essa prática abusiva e violenta. O resultado, quase sempre, é o rompimento das relações doentias ou mudança de padrões de comportamento das mulheres. “A própria pessoa, com os exercícios sistêmicos em grupo, tem condições de olhar para a solução, resultando numa profunda mudança que independe de sua condição social ou cultural.”

Mudança de comportamento
“Nos encontros, as vítimas de violência doméstica são esclarecidas sobre as leis que regem a vida, além da repetição de padrões de comportamentos e de dores que, inconscientemente, elas estão inseridas. Ao tomarem consciência dessas leis, elas se empoderam para sair da rotina dolorosa”, ressaltou Jamilson Haddad. O magistrado contabiliza mais de 10 sessões de constelação no estado, realizadas com auxílio de uma facilitadora sistêmica, e já vislumbra o resultado positivo do trabalho. Segundo ele, as mulheres chegam às reuniões nitidamente fragilizadas e emocionalmente abatidas. Após as sessões, mais empoderadas, agradecem o trabalho que traz novos rumos às tristes histórias.

No Brasil, pelo menos 16 estados, além do Distrito Federal, já utilizam o método para resolução de conflitos. A medida está em conformidade com a Resolução CNJ nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destinada a estimular práticas que proporcionam tratamento adequado dos conflitos. “Tenho acompanhado uma verdadeira revolução na sistemática processual brasileira, buscando cada vez mais a humanização do Poder Judiciário como um todo, estipulando planejamento estratégico de ampliação dos centros judiciais de conciliação e mediação, núcleos de Justiça Restaurativa e do relevante crescimento do Direito Sistêmico”, pontua entusiasmado Jamilson Haddad.

O juiz está à frente também do “Projeto Esperança – Socioeducação”, que trabalha com ações educativas e preventivas com os agressores por meio de uma equipe multidisciplinar.

*Fotos: Ascom/TJMT

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