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Conferência Temática da ENM: Tiradentes o Promártir da Independência

É o primeiro debate da série cultural que está sendo promovida ao longo do ano

O homem de cabelos longos e de barbas é o arquétipo de valores e conspirações coletivas, guardado no imaginário brasileiro, que faz referência ao Tiradentes, o mártir da história do Brasil Colônia. Considerado o Cristo Cívico da nação por suplício em sua morte: enforcado e esquartejado. A imagem apresentada nos livros contrapõe a possível realidade de um alferes (membro da cavalaria dos Dragões de Minas) – corte na nuca e um singelo bigode.  Mas por qual razão o exposto é contraditório? Esta e outras curiosidades foram debatidas na Conferência Temática da Escola Nacional da Magistratura (ENM).

O palestrante convidado foi o major Francis Albert Cotta, doutor em História Social da Cultura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A abertura do evento foi feita pelo desembargador Caetano Levi Lopes, diretor-presidente da ENM, com a participação da debatedora a juíza Aldina de Carvalho Soares (TJ-MG) e do juiz Marcelo Piragibe, assessor especial da ENM que mediou o debate.

A live foi transmitida pelo canal da Escola Nacional da Magistratura no Youtube. Clique no link e confira:

Para o major Francis Albert Cotta, os republicanos construíram e difundiram a imagem de Tiradentes como o protomártir da Independência, como espécie de Jesus Cristo no período do Brasil Colônia, denominado Inconfidência Mineira.

“Tiradentes foi reapropriado pelos ideólogos da República, dentro da perspectiva de barbas longas e cabelos grandes, bem assemelhados a Cristo. Era necessário dar à nascente República brasileira uma alma, essa alma seria a imagem de Cristo. Em termos de traição, de um ideal, tudo isso ajuda em nosso imaginário, como arquétipo de valores e aspirações coletivas”, afirmou.

A capitania de Minas Gerais foi um grande polo de atividade mineradora do Brasil durante o período colonial. A Coroa portuguesa, para estabelecer o controle sobre esse tipo de atividade econômica, organizou politicamente a região, determinando tributações.  Em razão da quantidade dos impostos exigidos pelo governo local, surgiu a Inconfidência Mineira, uma conspiração política organizada por profissionais liberais, militares e membros da elite econômico-social.  Os inconfidentes tinham como principal intenção de tirar do poder local o governador Visconde de Barbacena. Tiradentes foi um conspirador que rejeitou o autoritarismo de Barbacena e o modelo político absolutista de Portugal. O que culminou em sua pena de morte.

Após o longo processo, Tiradentes foi executado em 21 de abril em 1792 . Seu corpo foi esquartejado, e os membros espalhados pela estrada que ligava a cidade do Rio de Janeiro ( antiga capital do país) a Vila Rica (Ouro Preto-MG). Nessa última cidade, a cabeça de Tiradentes foi espetada em um poste, em uma praça. O objetivo dessa ação era simbólico. A ideia da Cora era transmitir a mensagem do que ocorreria com quem cometesse o mesmo crime de traição de conspiradores como Joaquim José da Silva Xavier.

“Tiradentes é um dos personagens mais importantes da história Brasileira. Personagem que sonhou alto, sonhou com a liberdade, o tributo foi a própria vida”, afirmou desembargador Caetano Levi Lopes, diretor-presidente da ENM.

A Escola Nacional da Magistratura está realizando a Conferência Temática sobre diversos assuntos, ao longo do ano. Neste primeiro momento, trata-se de uma série cultural com ênfase em História do Brasil. De acordo com a coordenação da ENM, a próxima live será sobre Canudos, divulgada em breve. Fique atento ao site: escoladamagistratura.amb.com.br


Jonathas Nacaratte (ASCOM)

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