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Augusto Cury falará sobre inteligência emocional no VII Enaje

Professor, escritor, autor da teoria da Inteligência Multifocal e médico psiquiatra mais lido no mundo na atualidade, Augusto Cury fará palestra no VII Encontro Nacional de Juízes Estaduais (Enaje), em Foz do Iguaçu (PR), na manhã do dia 25 de maio. Com o tema “Gestão da emoção no século 21”, ele aprofundará o funcionamento da mente, apresentando técnicas de gestão da emoção para prevenir transtornos psiquiátricos e desenvolver habilidades importantes de controle, inclusive, em momentos de estresse. As inscrições podem ser feitas até 17 de maio no hotsite www.amb.com.br/enaje/2019, mas será possível realizar no local do evento, no dia 23 de maio.

“Sem gestão de emoção, profissionais competentes se tornam seus algozes; cobram demais de si mesmos e sofrem por antecipação”, considera Augusto Cury. Entender como desacelerar o pensamento e resgatar a qualidade de vida em uma sociedade ansiosa e conflituosa é o ponto de partida da palestra. “Não podemos nos esquecer de que estamos na era da Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) e da intoxicação digital, ser livre, tranquilo e saudável é nosso direito, um direito exercido raramente”, alerta.

A saúde emocional dos magistrados tem recebido especial atenção da AMB. Desde 2018, a entidade desenvolve uma série de atividades, em parceria com o Instituto Augusto Cury, a exemplo do curso promovido com apoio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em novembro passado, em Ribeirão Preto (SP). Na ocasião, foram treinados mais de 100 magistrados para aplicar, nos respectivos fóruns, o projeto “Você é insubstituível – uma vacina emocional contra o suicídio e transtornos emocionais”.

Segundo Augusto Cury, o objetivo da parceria com a Associação é proteger a mente dos magistrados e qualificá-los socioemocionalmente. Dados recentes da pesquisa da AMB “Quem somos. A Magistratura que queremos”, mostram que cerca de 80% dos magistrados acreditam estar mais estressado e ansioso do que os juízes do passado. “A sobrecarga mental dos juízes pode ser extremamente esgotante”, salientou o psiquiatra.

Entrevista
Augusto Cury, que prepara o lançamento do seu próximo livro “Solução pacífica de conflitos”, com notáveis juristas como colaboradores, falou com a equipe de comunicação da AMB sobre a parceria entre as instituições, sua participação no VII Enaje e a saúde emocional dos magistrados. Confira abaixo:

O senhor pode antecipar o que vai abordar com os participantes do VII Enaje?
Augusto Cury – Falarei sobre o funcionamento da mente e técnicas de gestão da emoção para que possamos prevenir transtornos psiquiátricos e desenvolver habilidades importantes para nos tornarmos autores de nossa própria história, mesmo nos momentos de estresse. Sem gestão de emoção, profissionais competentes se tornam seus algozes; cobram demais de si mesmos e sofrem por antecipação. Sem gestão da emoção, casais começam o relacionamento no céu do romance e o terminam no inferno dos atritos. Os jovens asfixiam sua ousadia e capacidade de tolerar frustrações. A relação entre pais e filhos torna-se uma fonte de conflitos e não um canteiro para formar mentes brilhantes e emocionalmente saudáveis.

A parceria com a AMB, por meio do Instituto Augusto Cury incluindo a Academia de Gestão da Emoção e o Programa Escola da Inteligência, vem ocorrendo desde 2018. Qual o objetivo e a importância dessa parceria?
AC.: O grande objetivo é proteger a mente dos magistrados e qualificá-los socioemocionalmente. Há cerca de vinte juízes para mais de 100 milhões de processos. Não é suportável nem para a sociedade e nem para o cérebro dos magistrados. A sobrecarga mental dos juízes pode ser extremamente esgotante, produzindo um gasto de energia biopsíquica maior do que de vários braçais juntos. O resultado disso: fadiga ao acordar, cefaleia, dores musculares, insônia, aceleramento do pensamento, sofrimento por antecipação, déficit de memória entre outros sintomas. Os magistrados têm que aprender a sobreviver saudavelmente no teatro psíquico, não basta terem um papel relevante no teatro social.
A parceria com AMB é sem fins lucrativos, mas extremamente importante, pois disponibiliza ferramentas psíquicas numa sociedade altamente ansiosa e conflituosa, onde não treinamos nosso “Eu” para ser autores de nossa história. A AMB é uma das embaixadoras do primeiro programa mundial de gestão da emoção para prevenção de suicídios, chamado Você é insubstituível, desenvolvido pelo meu instituto e 100% gratuito. Podemos ser substituíveis profissionalmente, mas como seres humanos somos únicos e irrepetíveis. Estendemos nossas mãos para essa classe fundamental para o funcionamento da sociedade civil.

Como o senhor avalia o tema do evento: “A Magistratura na sociedade brasileira entre o real e o ideal”?
AC.: Nosso País está doente, a sociedade está polarizada, o nível de esgotamento cerebral é altíssimo, a intoxicação digital atinge crianças, adolescentes e adultos. Se a sociedade civil não for reorganizada, se o radicalismo não for reciclado, se as ferramentas de gestão da emoção não forem trabalhadas no sistema educacional, nos converteremos num manicômio global a céu aberto. Aliás, para se ter uma ideia, uma em cada duas pessoas – ou mais de 3 bilhões de seres humanos – têm ou desenvolverá um transtorno psiquiátrico. E estamos muito preocupados com a saúde emocional dos juízes, pois, muitos desenvolvem depressão e ansiedade; alguns têm atentado contra a própria vida. Se eles fazem Justiça nos fóruns jurídicos com dignidade, deveriam também aprender a fazer Justiça nos fóruns de suas mentes, ter um romance com sua vida, relaxar, desacelerar, ter um sono reparador, contemplar o belo e ter finais de semanas fascinantes consigo e com quem amam.

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