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Projeto Maria vai à Escola conscientiza crianças sobre Lei Maria da Penha

Idealizado pela juíza Maria Aparecida Cury, da Coordenadoria Estadual de Combate à Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), o projeto Maria vai à Escola leva a crianças de 9 a 13 anos aulas sobre direitos humanos, igualdade de gênero e violência doméstica e familiar contra a mulher. A ação é realizada na capital Boa Vista, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.

“A ideia do projeto surgiu de dentro da própria Lei Maria da Penha, que fala de educação, de começar a mudança de mentalidade, da mudança da cultura machista, de desigualdade de gênero pela educação. E eu, magistrada, acredito que nós só mudamos a cultura de um país por meio da educação”, explica Maria Aparecida Cury.

Criada em 2015, a iniciativa já atendeu 17 das 49 escolas de ensino fundamental de Roraima, contemplando dois mil alunos. Maria vai à Escola tem como objetivo promover a cidadania e conscientizar os alunos sobre a resolução não violenta de conflitos. Após oito aulas, as crianças recebem certificado e, quando possível, a magistrada palestra ao final.

Ela conta que todos os momentos vividos no projeto são memoráveis, mas houve um em especial. “Na entrega do certificado, uma menina foi com a mãe, que se apresentou a mim, agradeceu e disse que elas foram vítimas de violência doméstica. Isso me marcou. Me marca muito, também, o fato de crianças, diretores e gestores dizerem que a convivência melhorou depois do projeto”.

Para o ano que vem, Maria Aparecida Cury revela que o plano é continuar o trabalho, “sempre tentando aperfeiçoar e melhorar”. Ela também diz ter vontade de expandir a ação para além da cidade de Boa Vista. “Para isso, nós precisamos de parceria. Esse projeto só existe porque a prefeitura da cidade é parceira”, conclui.

O projeto foi premiado pelo Fórum de Segurança Pública com o selo de Boas Práticas, que será entregue no dia 17 de dezembro. O prêmio busca promover uma nova abordagem para a prevenção da violência, valorizando o enfoque territorial e o papel dos municípios, com destaque para as boas práticas encontradas no País.

Com a iniciativa, a magistrada esteve entre os finalistas do Prêmio Viva 2018, na categoria Justiça, promovido pela Revista Marie Claire e Instituto Avon, que visa homenagear pessoas atuantes no enfrentamento da violência contra a mulher no Brasil. “A gente vai fazendo o trabalho sem nenhuma pretensão e, de repente, ele é reconhecido. Ser indicada a essa premiação é uma felicidade imensa. Para nós, que trabalhamos no Norte, em um Tribunal de Justiça pequeno, o menor do País, é mais gratificante ainda”, afirma a magistrada.

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