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Juízes da UIJLP conhecem Projeto Eu Tenho Voz, em São Paulo

Na noite de encerramento do Seminário “Combate à corrupção nos Países de Língua Portuguesa”, nessa terça-feira (28), os magistrados dos países que integram a União Internacional de Juízes de Língua Portuguesa (UILJP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – foram surpreendidos com uma apresentação teatral especial, na sede social da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), em São Paulo. O objetivo era sensibilizar os juízes lusófonos e fortalecer a rede de proteção para combate aos crimes praticados contra a infância.

Antes de iniciar a apresentação, a juíza Hertha de Oliveira, explicou como funciona e quais são os objetivos do projeto Eu tenho Voz, do Instituto Paulista de Magistrados (Ipam), entidade a qual preside. Idealizado pela juíza, o projeto nasceu com a missão de alertar e encorajar crianças e adolescentes diante de situações de abuso sexual.

A iniciativa propõe a exibição da peça teatral “Marcas da Infância” nas escolas municipais e estaduais de São Paulo, na qual são representados relatos reais de crianças que sofreram abuso físico ou sexual. Por meio de uma narrativa lúdica com intervenções musicais, o espetáculo apresenta, de maneira leve, a discussão dos diferentes tipos de violência, sempre lembrando do poder da voz nessas situações.

“A ideia é transmitir para a criança que a voz dela é a sua maior defesa, e que ela própria pode procurar esse socorro. Por isso o nome do programa, Eu Tenho Voz”, explicou Hertha Helena. Segundo a magistrada, desde que foi criado em 2016, o Projeto já alcançou cerca de 20 mil crianças e adolescentes por todo o Brasil.

A juíza Maria Diegy Godinho, da Angola, que acompanhou a apresentação, disse que a exploração sexual infantil também constitui uma das realidades mais duras e perversas que a sociedade angolana enfrenta. Visivelmente emocionada, a magistrada disse que onde trabalha, no município de Viana, a 18 quilômetros da capital Luanda, vivencia situações como as do espetáculo quase que diariamente. “E confesso que, mesmo assim, veio lágrima nos meus olhos ao assistir porque, muitas vezes, mesmo proferindo uma decisão, eu sinto que não fiz tudo que eu devia fazer por essas crianças”, desabafou.

Para a magistrada angolana, foi uma forma de pensar em novos modos e ideias para serem implementadas em seu país. “Nós não temos o hábito de lidar dessa forma com essas situações. Em Angola há, ainda, um caminho muito grande a ser traçado”, disse ao explicar que no país africano não existe atendimento especializado para as crianças que sofrem abuso. Além disso, existem questões culturais difíceis de combater, como o fato de ser natural, em algumas regiões, a menina ter sua primeira relação sexual com o pai. “Mas é bom estar aqui e acompanhar a realidade de outros países, porque ensina-nos. Primeiro dar-nos ânimo, depois mostra que é possível melhorar”.

Em Moçambique também não é diferente. Segundo o magistrado Henrique Cossa, “a maior parte do que foi apresentado aqui, existe no meu país. E infelizmente a maior parte dos que sofrem este tipo de situação são crianças muito tímidas e não compreendidas na escola, mas são extremamente inteligentes. Quando tratadas com cuidado e carinho se abrem. Gostei imensamente do que vi aqui”, disse.

Após a apresentação, os juízes participaram de um jantar de confraternização com todos os participantes do seminário sobre corrupção, realizado nos dias 26 e 27, em São Paulo. O evento foi promovido pela UIJLP, em parceria com a AMB, e com o apoio da Apamagis.

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