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Em palestra sobre ética, Marcia Tiburi convida participantes a refletirem sobre ações e valores sociais

A escritora e filósofa Marcia Tiburi abriu os trabalhos da tarde desta sexta-feira (4) no VI Encontro Nacional de Juízes Estaduais. Com a palestra Ética: Desafio do Pensamento e da Ação na Sociedade Contemporânea, a doutora em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), convidou os participantes para uma reflexão sobre as ações e o desenvolvimento do pensamento no atual momento político e histórico do País.

“Não estou aqui para convencê-los com ideias ou argumentos. Trabalharei com o conceito de ética sobre o ponto de vista filosófico”, frisou. “Também falarei sobre seus aspectos fundamentais, tais como o pensar, o agir, os valores sociais, o discernimento, o julgamento, o respeito, a responsabilidade, a questão da alteridade e da subjetividade”, continuou.

Com mediação do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Márcia Tiburi fez uma breve exposição sobre a etimologia da palavra ética, que deriva do grego ethos, e significa caráter, costume ou modo de ser. Em sua fala, a filósofa destacou ainda que para a ética ter início, é preciso sair da indignação moral baseada em emoções passageiras. “Falta entendimento, compreensão de um sentido comum em nossa reivindicação pela ética. Falta diálogo, ou seja, a capacidade de expor e ouvir o que a ética pode ser. Clamamos pela ética, mas não sabemos conversar, dialogar”, pontuou.

Com mais de vinte anos  de vida acadêmica, a autora de livros filosóficos e também de romances, ainda trouxe ao debate o tema da intolerância. “Como as pessoas se tornaram fascistas, o tipo psicossocial que tem ódio ou medo do outro? Por que atingiram pontos de preconceito que chegam ao nível de negar o outro? Já pensaram sobre isso? ”, provocou. Marcia Tiburi destacou que um sinal de inteligência é a capacidade de conectar-se consigo mesmo.

“Quem está fechado para o outro, tapou-se. Se a burrice e a inteligência são categorias cognitivas, também são morais. Se eu evito o outro na minha vida, eu não preciso me confrontar com meus próprios limites, fico sozinho com minhas verdades e nunca terei que enfrentar uma autocrítica”, instigou.

Na oportunidade, o ministro do STJ Herman Benajmin destacou que o papel do juiz é aplicar a lei aos fatos. Ele lamentou que muitas vezes isso é um impedimento à evolução do magistrado e do próprio direito. “Se houvesse um pouco mais de curiosidade, poderíamos fazer a lei ser um instrumento diferente. Fica a reflexão aos nossos colegas, pois o treinamento que recebemos em nossas escolas oficiais, ou pela própria pressão do dia a dia, é a de não estimulamos a nossa curiosidade. Podemos fazer melhor”, incentivou.

Herman Benjamin agradeceu a oportunidade do diálogo e a presença da professora Marcia Tiburi no Enaje. “Agradeço em nome de todos os colegas presentes à AMB pela oportunidade de ouvir e traduzir e levar tudo o que ouvimos à experiência do juiz”, finalizou.

Dalila Góes

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