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Em Brasília, Grupo Reflexivo de Homens aposta no diálogo para ressocializar os autores de violência doméstica

Incluir os homens autores de violência doméstica e familiar como protagonistas no enfrentamento à violência para prevenção da violência e proteção da mulher. Este é o objetivo do programa Grupo Reflexivo de Homens idealizado em 2016 e implementado pelo Núcleo Judiciário da Mulher (NJM/T), sob a coordenação da juíza Luciana Lopes Rocha, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios ( TJDFT) e presidente do Fórum Nacional de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid).

Todos os 20 participantes dos encontros respondem na Justiça por violência doméstica e familiar contra mulheres. Enquadrados na Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, participam de uma iniciativa com cinco encontros semanais temáticos, com duração de duas horas cada, no Distrito Federal, que aposta no diálogo reflexivo para ressocializar os autores de violência doméstica.

O projeto envolve juízes, profissionais do Direito, serviço social e psicólogos que realizam o acolhimento e estabelecimento de vínculo entre o encaminhado e a equipe. Durante os encontros, os autores de violência contra a mulher recebem orientações sobre as noções gerais da Lei Maria da Penha; sistema de crenças; dependência afetiva; mitos e verdades sobre a violência, e autoresponsabilidade.

“Buscamos o rompimento do ciclo da violência, tendo em vista que a prática mostra que quando o agressor é punido somente com prisão, ou outras formas que não o levem à reflexão a respeito do delito, possivelmente ele voltará a reincidir. Portanto, oferecer atendimento psicossocial ao homem autor de violência doméstica e familiar ajudando a reconstruir a própria masculinidade é tão importante quanto ajudar a mulher agredida”, explica Luciana Rocha.

O perfil dos agressores é bem parecido. São adultos jovens, de baixa escolaridade, com atividade remunerada, maridos ou companheiros que praticaram violência contra suas esposas ou companheiras no ambiente doméstico.

Para Antônio Santos, participante do grupo, o aprendizado foi muito bom. “Aconselho quem tiver algum problema que procure antes que aconteça porque é muito bom. A gente só aprende, as pessoas que transmitem as mensagens são muito boas e ajuda a gente a crescer. É melhor prevenir antes do acontecimento”, elogiou.

O resultado do projeto, segunda a juíza, tem sido satisfatório. Em dois anos de programa, já foram atendidos cerca de 1.400 homens, com idades que variam entre 18 e 60 anos. “Os resultados que aparecem após as reuniões refletem mudança satisfatória de discurso sobre os fatos antes e depois dos encontros, mas, principalmente, por assumirem os homens autores de violência sua responsabilidade nos conflitos que os envolveram”, conta.

Renata Brandão

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